terça-feira, 10 de março de 2009

Sobre a Saudade

Me mandas beijos na alma e me chamas de querido
Então, tu bem sabes, me derreto todo ao recebê-los
E ao ouvir essa palavra da tua boca
Enquanto me descreves planos de viagem, ao telefone,
Para quando setembro chegar
E o vento frio novamente começar a anunciar o outono.

Do lado de cá eu rio
E imagino tua cara enquanto me falas isso
Nesses momentos em que tua meninice se põe
A me deixar recados subliminares
Para que eu entenda que me amas
Sem contudo se valer de explicitude,
Mantendo assim a fantasia
Que desta forma não te entregas toda de uma só vez
Como se ainda houvesse mistérios a desvendar sobre teus sentimentos
Ou mesmo eu os desejasse.

E por tudo isso e ainda mais por outras coisas que sequer supões
- Entretida que vives a caçar histórias de aspecto tão pungente quanto efêmero, nesse mundo midiático que é o teu-
Eu te amo cada dia mais
Até mesmo com certa culpa,
Pelo tanto que esse transbordar de vida
Que teus poros não conseguem conter
Me alimenta a alma e me dá sentido aos dias
Que eram tão amargos e sem esperança até que
A vida nos colocou frente a frente naquela beira de mar.

Mas por mais que adore que me beijes a alma,
Minha falta hoje é de tua boca
Minha falta hoje é de tua carne
De nosso enlaçar de pernas
Do trançar das línguas em nossas bocas
Do possuir de nossos corpos
Com um afã que nos confunde identidade e
Embaralha os sentidos e as emoções
Nessa total sinestesia contraditória que conduz
À soberba do possuir e à entrega total do se dar.

O desfalecer de depois do amor
O acordar para amar ainda mais
A perda total da noção dos conceitos mais básicos que se convencionou para entender o mundo ou as leis da natureza
A divisão da semana em dias ou desses em descer do sol ou subir da lua
Ou do contrário que seja

Que diferença pode fazer qualquer coisa que se passe no mundo
Quando estamos a nos amar?
O que pode ser mais supremo do que teu gosto em minha boca
Ou me beberes a essência?
Que outro sentido ou sabor que me encante
Pode me ter a vida reservado depois de ter penetrado teu corpo?

Amada minha
Mar profundo de beleza incontestável
Imensidão por onde me espalho
A beber da inesgotável fonte de inspiração que me és
E que me permite a continuidade do viver
Para que, cada vez mais, possa cumprir minha sina de transmutar
Amor em palavras e essas em vida
De escrever sobre ti
Mulher da minha vida.

Vem agora e me toma por todo
Me abraça, como jamais antes
Fala que me ama
E me recebe dentro de ti

Pois é na tua carne que te entrego a alma
E é só por me permitir perdê-la em ti
Que encontro a tua

Eis, pois, a forma pela qual seguimos pela vida a fora
Sendo a prova mais inconteste do quão imponderável é o amor.
Ton Neumann

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