sábado, 28 de fevereiro de 2009

Poema Sobre o Momento de Meu Partir

Fantasio, em meu delírio,
Que as malas que me esperam
Na porta de saída de teu apartamento.
Trazem o mesmo nó na garganta
Que me sufoca a ponto de se me tornar difícil até mesmo respirar,
Nesse momento.

Surge, porém, em meu socorro
Sem que consiga definir de onde
Uma força que não posso conceituar (nem mesmo posso dizer se não me machuca ainda mais)
Que me ajuda a segurar o choro.

Te abraço, desviando o olhar
Pois não suportaria ver ainda mais tristeza do que a que já sinto
E te aperto ao mesmo tempo que também te sinto me apertar, com toda a força que tenho
Esmagando teus seios contra meu peito,
Unindo nossos plexos
Comprimindo nosso sexo
Fundindo nossa ânima
Desta feita, tão necessitada de animar-se.

A saudade, já aguda e antecipada,
Desafia nosso propósito de ignorar o amanhã
E nos pomos a jurar promessas de um estar novamente em conjunção
Mais breve do que esse aperto no peito nos mate.

Um pranto convulso, então, se apodera de mim
Tornando inútil todo o esforço anterior
Encharcando minha cara
Revelando o quanto não sou forte, como desejava que supusesses
E o quanto necessito de ti e desse amor

Há muitas coisas que preciso que me digas antes de eu voltar
Há muitas coisas que espero de ti,
E tu de mim outras tantas,
Ainda que cedas ao vício de negar o quanto também tens expectativas sobre mim
Alimentando a fantasia que nutre essa identidade que criaste para te proteger do amor.

Há muito ainda o que retirar de nosso caminho,
Muita terra a ser arada, muita pedra a ser removida
Antes de te dar a posse definitiva sobre o destino dos meus dias
Antes que digas que sou teu senhor e marido
Antes que te dê sentido ao ventre

Há muita esperança em meu coração de que meus sonhos também venham a ser os teus
E que antes que eu possa crer
Entres tu, porta a dentro em minha casa, a reclamar propriedade de meu porvir

Mas nada disso acalma a dor que o meu coração sente ao te deixar, querida
Embora tenha ciência do quanto essa partida não é definitiva
Embora não estejamos tão longe que nossas posses não permitam que nos vejamos com mais freqüência,
Embora eu te leve dentro de meu peito e saiba que meu cheiro aqui continuará a perfumar teus dias
Embora não desconheça o fato de que me buscarás em meus poemas virtuais como também na cama, a cada noite
E que uma lágrima cairá de teus olhos a cada manhã que ao abri-los não enxergares minha boca a sorrir e te dizer: bom dia minha criança, meu amor.

Embora eu saiba que dessas e de tantas outras formas permaneceremos juntos,
Ainda assim, cada dia sem ti significará um a menos de felicidade
Cada noite sem estar dentro de ti
Será uma triste e interminável ladainha em louvor à solidão
Como fosse eu um menino perdido,
Esquecido dentro de uma catedral vazia
Assustado com as imagens que o rodeiam enquanto caminha
Rumo ao nada, em busca de uma saída
Que sabe que não encontrará por si

E és tu quem tem a chave dessa porta, meu amor
Só tu podes abri-la e me libertar da pena suprema
De viver sem ti.

Não seria nada justo, depois da verdadeira benção que foi te ter em meus braços
Ser amaldiçoado a cambalear pela vida a fora,
Apenado a rolar como um trapo, como um morto em vida
Sem teu amor a me nutrir.

Eu lançaria pedras à desgraçada Moira
Que me tecesse tal teia
Eu enfrentaria Deus, se me fizesse tal desfeita,
Mostrando a ele ou a quem quer que fosse o que sou capaz para não te perder.

Te solto dos meus braços
Tua blusa ainda molhada
Beijo uma última vez teus lábios e saio sem te dizer nada ou olhar para trás

A cabeça erguida aponta para a certeza do amanhã de felicidade que nos espera
Que nos aguarda para que juntos o venhamos a construir.
E é por isso que tão breve voltarei para teus braços,
Minha criança,
Meu amor.

Ton Neumann

O Ciúme

O sol arde, inclemente aos que a ele se submetem
Nenhuma folha se move
Nenhuma brisa farfalha entre as árvores;
Nenhum latido ou barulho de qualquer outro animal.
Nenhum sussurro de prece
Nenhum suspiro de saudade
Nenhum tórrido gemer de amantes
Nenhum soluço de dor
Nenhuma gargalhada de embriaguês
Paira no ar apenas um silêncio traiçoeiro
Somente o cheiro da morte, de alguma forma que não permite descrição,
Desafia o indescritível da tensão desse momento,
Tão presente quanto inexplicável

Como se saída do nada, sem que se perceba de onde,
Vara o ar a flecha do ciúme e atinge em cheio o coração do poeta
Antes mesmo que perceba o que de fato está a acontecer
Alarma-lhe o barulho seco do projétil ao adentrar seu corpo
Por um instante, a sensação de surpresa é substituída pela dormência.
Ele olha para os lados tentando identificar de onde lhe foi desferido o golpe
Seu corpo gira sem qualquer referência e o mundo todo em volta de si
Um misto de náusea e boca seca tomam-no por completo
A cabeça dói, lateja, como que presenciado à distância o que está acontecendo,
Mas sem poder intervir em nada.
Então o veneno da flecha mostra ao que veio
E lhe submete a um tipo de ardência desconhecida, corrosiva, justo em seu coração
O sangue molha o peito e sua dor se confunde com a vergonha que o novo e indesejado sentimento proporcionam.

Como revelar a mulher amada uma sua face tão mesquinha¿
Como correr o risco de decepcioná-la¿
Como revelar-se fraco, ainda que sejam os humanos fracos,
A quem te supõe herói¿
A que te vê como a El Condor
Voando acima da miséria do que é comum aos mortais
Como revelar a pobreza de minha alma que se corrói
Ao encontrar marcas de teu ex-amor ela casa a fora¿
Como conter o ímpeto de te implorar que as apagues pois nenhum outro te merece mais que eu
E que depois do que meu corpo fez com o teu
Nenhum sinal é digno de estar em teu caminho
De desviar tua atenção
Sobre aquilo que desejo que te seja supremo: meu amor
Como suprema és para mim.

Como ter cara de usar a poesia para te revelar que há motivos para que deixes de me querer¿

Calo, agora, à espera do veredicto que sei que nesse momento teu coração processa
Mas não me furto de revelar o que o meu fala:
Tenho ciúmes, sim.
Não me orgulho dele
Mas fui por ele abatido e não posso mais esconder de isso de ti
Resta-me uma ponta de esperança,
Não pelo pequeno que sinto,
Mas pelo grande que és
De que meu ciúme, para ti, possa vir a ser
Mais uma das tantas provas de amor que tenho
Ainda que por tão sombria senda,
A teu coração, oferecer.
Ton Neumann

O Dom

A poesia nada mais é
Do que esse dom que recebi
De conseguir revelar,
Através da palavra,
O quanto cada momento aparentemente prosaico
Resguarda em si um ato de celebração à vida

Ton Neumann

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Presente Matutino

(para você, doce criança)
Amanhã?
Não consigo entender exatamente sobre o que falas.
Ontem?
Também desconheço o significado dessa palavra.
Meu único referencial de tempo se chama presente.
Por que nele posso te amar
Por que ele te designa
Por ser ele o leito onde durmo e acordo contigo
O leito por onde corre o caudaloso rio do nosso amor
A estrada que conduz meus passos ao paço do teu coração.
O espaço que tenho (que idiotas os físicos que dizem não ter, o tempo, espaço)
Para escrever todos os poemas de amor
Que um homem possa escrever e deixar em furtivos espaços
Para que a mulher amada se surpreenda ao encontrá-los no amanhecer
Quando buscava apenas
Escolher com qual dos outros presentes haveria de brincar naquele dia.
O presente maior ao poeta
É te ter em sua vida, mulher
E como um vassalo apaixonado por sua senhora
Cumprir a doce obrigação de te encantar
Com um novo poema a cada manhã.

Esse amor nos nutre.
A poesia nos nutre,
Como também ao nosso amor.
Assim cevamos a vida.
Sendo, do outro, presente.
Em todas as suas acepções.

Ton Neumann

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quixote

Essa, mais que nunca, é para você, meu doce.
Aos que lêem, de fora, essa declaração devem pensar: Que coisa mais meladinha. Isso, exatamente isso. Meladinha. E muito mais. E nós sabemos o porquê. Especialmente eu sei o quanto tens adoçado minha vida e o quanto tenho sido feliz desde o dia que entraste porta a dentro em minhas terras e te instalastes com fumos de conquistadora. Rendido, desde então estou, pois. Minha doce conquistadora.
(Letra de canção, melodia já composta)

Cavaleiro andante
De destino errante
Que em lutas nos campos de guerra do amor
Perdeu tantas batalhas

Descobrindo outras trilhas
Renascendo das cinzas
É comum, pra quem luta nos campos de guerra do amor
Cicatrizes, feridas

O meu mundo uma noite
E eu pro mundo um dia
É comum, para quem perdeu lutas nos campos de guerra do amor
Uma falsa alegria

Mas me deu, tua verdade
A vontade e a certeza
De querer novas lutas nos campos de guerra do amor
E é por isso princesa

Que aqui vim pra buscar-te
Pois tu tens o segredo
De levar-me de novo, pras lutas nos campos de guerra do amor
Sem angústias sem medo

Deixo as bruxas, dragões
E os moinhos pra trás
Pois tu és, para mim, nessas lutas dos campos de guerra do amor
Meu tratado de paz


Ton Neumann

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ilusão

(Letra de canção, melodia já composta)

Eras a minha menina
A minha alegria
O meu bem querer

Eras a minha verdade
A felicidade com a qual
Desde sempre eu sonhei

Eras a minha canção
Eras cada batida
Do meu coração

Eras o meu dedilhado
Eras o sincopado
Do meu violão

Pena eu não ter perguntado
Mais cedo teu nome,
Ilusão

Partiste em pedaços meus sonhos
No exato instante que me revelaste
O orgulho que um dia haverias de ter
Quando contasses pro mundo
Teres sido alguém
Que eu um dia amei

Falaste o que sempre se fala
Quando quer se ir embora sem o outro magoar
Calei, como perdem a fala
Os que amam e vêem
Um novo amor
Seu amor procurar


Ton Neumann

domingo, 15 de fevereiro de 2009

A Espera de Ti

(Letra de Canção, melodia já composta)

Quando partiste
Partiste também a mim
Como um cristal
Despedacei-me com o fim

Deste amor
Que pra mim era tudo
Definhei, quis morrer
Pra te amar ainda mais do outro mundo

Tu não sabes
Nunca sabe o que parte
Que ao deixar seu amor
Leva dele uma parte

E hoje há
Uma parte de mim
Que carregas contigo
Desde a hora do fim

Vivo do vício
De trapacear minha dor
Desse delírio
De reaver teu amor

E até lá
Só te peço, enfim
Cuida bem dessa parte
Que levaste de mim

E quem sabe
Em um mundo real
Se consiga o milagre
De colar-se o cristal

És o mago
Que possui tal poder
Me devolve, querido
A razão de viver

Eis-me aqui
A espera de ti

Ton Neumann

Acordado

Estou acordado. Muito acordado...

Prefiro ficar acordado. Assim posso sonhar contigo o tempo todo.

Ton Neumann

O Fogo do Amor

(Letra de Canção, melodia já composta)


Ah,
O Fogo do amor me queima
Me arde, maltrata e teima
Em não querer se apagar

Quem
Conhece a dor da saudade
Sonha em a felicidade
Vir há um dia reencontrar

O amor
Faz nossos dias mais claros
Os sentimentos mais raros
Nos reanima a sonhar

E sonho
Que um dia voltes pra casa
Tua casa que é meu corpo
Esse corpo que é teu lar

Vivo
Somente pela esperança
Que deixes de ser lembrança
E voltes a me habitar

Por mais
Que o tempo tenha passado
E a vida nos afastado
Eu continuo a te amar

Ton Neumann

Vale a Canção

Queria tanto
Se ainda desse
Se permitissem, as cicatrizes
Se perdoassem nossas lembranças
Tanto lembrar
Momentos bons
Revoluções
Tantas manhãs
A se abraçar

Queria tanto
Se ainda posso
E até quem sabe
Posso poder
Então dizer
Ao teu presente
Que esse passado
Que hoje evoco
Não guarda marcas
Nem restrições

Não são somente
Meros momentos
Copos virados
Corpos sedentos
Valium, cerveja
Maria Juana
E carnaval

Também cultiva
Roupas no armário
Marcas no corpo
Ausência n’alma
Falta de calma
Sobra perdão
Vale a canção
Teu beijo, língua
Jabuticaba, crianças negras
A tua boca,
Meu coração

Ton Neumann

Balada pelos Sonhos do meu Amor

Tu nem sonhas, meu amor
Mas enquanto dormes, longe de mim
Sonho por ti, acordado,
Por nós, sonho,
Nosso sonho,
Nosso amor.

Tu sequer me vias e eu já te amava
Sequer sabias que existia meu amor por ti
E eu já conhecia cada sinal de tua respiração.
Em cada timbre de tua voz
Eu reconhecia um mistério contido

Como um viciado,
Meus pensamentos já não mais conheciam outros caminhos
Que não os que conduzissem a ti.

Como um oráculo
Que previa algúrios para esse amor,
Adivinhava os desejos
Que cevavas, sem saber, por mim
E te alertava sobre as vicissitudes que as tardes te trariam

E assim a cada dia desde que te vi
Eu estendi um tapete de flores
Por onde havias de passar
E em meio a elas depositei meu coração

Tu, no entanto, senhora que és
Suprema sacerdotisa de meu credo
Não o pisaste, ao contrário
O tomaste em mão e o colocaste dentro de teu peito

Por isso desde então sou teu
Por isso desde então te dei minha vida
E reneguei qualquer plano que para ela tivesse
Quem ma deu

Como um herege,
Um filho ingrato,
Como o insolente, que de fato sou
Como um traidor que renega sua raça
Pelo amor da mulher
Filha do inimigo de sua gente
Mas que nem por isso se sente traidor
Uma vez que o fez que ao que chamam traição
Eu dou o nome de amor

Escrevo versos pelas madrugadas
Não raro, debruçado neles
Sou eu quem desperta o sol
Meu ofício se resume em semear versos
Por jardins onde florescem fusas e colcheias
Posso olhar olho no olho a cara das pessoas,
Tenho teto e o que comer

Sou capaz de entender o sofrimento alheio
E meu coração não se permite reservar espaços para a maldade
Nunca pisei em ninguém
Luto por um mundo sem fome e com menos dor

Teu útero, sei
Há de ser terra a brotar minhas sementes
Hoje, te tenho em minha vida.

Tu, que só agora entendo,
És de fato a poesia.

Que para mim é o tudo
E por si só me basta.

Ton Neumann

sábado, 14 de fevereiro de 2009

PROPOSTA

Nas calçadas em que andas
Mancha o chão a poesia
Quando andas pelas ruas
Ganham mais cores os dias
Tolo, o sol se assanha
E mais luz'inda irradia
A lua até já me disse
Sentir certo desconforto
Quando tu sais pelas ruas
Esbanjando essa alegria
Que desconcerta nós outros
A quem só restam suspiros
E o sonhar em ter-te um dia

Se o mar pisas, distraída,
Até as ondas silenciam
E espalha-se a boa nova
Entre os seus habitantes
Que a rainha do tempo
Acabou de ali estar

E assim por todo o lugar
Em que venhas a passar
Provocas um rebuliço
Tão grande e tão intenso
Que por vezes até penso
Como a té hoje a polícia
Ainda não te proibiu
De pelas ruas andar?

E é pra evitar mais problemas
Que te venham molestar
Que escrevi esses versos
Bobinhos, quase dispersos,
Nessa forma de canção
Pra perguntar se não queres
Pro resto de nossas vidas
Morar no meu coração.

Ton Neumann

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Estranho Doce

Estranhas mesmo,
Essas coisas do amor.
Misteriosas;
Vontadeiras;
Poderosas;
Prepotentes.

Não reconhecem preceitos
Desacatam preconceitos
Tornam inúteis os planos
Jogam por terra o que em anos
Sedimentou nossas crenças
Reconciliam diferenças
Do ateu fazem cristão
Do crente, um crente em nada
Da manhã, fazem madrugada
Pois é nela que os amantes
Vivem, revivem, refazem
Os seus melhores instantes

Dos tolos, fazem poetas
Dos mais fortes homens frágeis
Dos meninos generais
Dos filhos, às vezes pais
Da paz guerra e dela paz

Da vida um novo início
Um saudável novo vício
De um corpo ao outro ter
De um, vida ao outro dar
E então dessas duas vidas
Ainda outras gerar

As coisas do amor só ouvem
O que diz o coração
Fazem troça da razão
E aos pobres matemáticos
Tratam-nos como lunáticos
Como assim, sem mais pudores
Tratam todos pensadores
Homens de qualquer ciência
Qualquer outra referência
Religião, filosofia
Que não se dêem a entender
Que apenas a poesia
É a linguagem que consegue
O coração entender

Misterioso o tal do amor
Saboroso o tal do amor

Tem cheiro de maresia
Gosto de beijo molhado
Em meio a corpo suado
Por se dar a noite a fora
Até o amanhecer

Faz o azul aparecer
No meio de uma borrasca
Mar bravio, sereno lago
De um bramido um afago
O amor é mesmo um poeta
Um criador sem barreiras,
Um guri bem sem maneiras
Uma fêmea a se ajeitar
Pra seu macho receber
Sentir seu corpo tremer
A lua se aproximar
O calor do sol arder
Dentro de si e seus nervos
Retesarem, quase doerem
Uma dor que ela deseja
Que não acabe jamais
Numa profusão de ais
De gritos insanos
Gemidos
Fuga do corpo
E no corpo
Daquele que lhe possui
Encontrar a própria alma
Enlouquecer até a calma
Mais serena encontrar
Até sentir o seu homem
Nesse também se entregar
Viver a pequena morte
Que experimenta no instante
Que está a se derramar

O amor é como beber
Todo o mar em um só trago
Querer ser todo o outro
E o outro ter no seu ser

O amor quando fala em ter
Não fala em pertencimento
Muito mais fala em momento
Mas um tipo de momento
Que não se marca em relógio
É um louco sentimento
Que mais torna senhorio
O que mais se der ao outro
E que faz do mais gentil
Quem mais se pretende agraciar
Com todas a s gentilezas
Capazes de se gerar

O amor quando é verdadeiro
Não precisa de papéis.
O coração de quem ama
Entrega-se bem faceiro
A esse novo posseiro
Que a ele veio tomar
Pois entende que entregar-se
É a maior das vitórias
A mais linda das histórias
Que pode vir a contar

O amor é um doce estranho
De cheiros incomparáveis
Só decifrável, de fato
A quem partir do suposto
Que só está preparado
Para provar de tal gosto
Aquele que se liberte
Da sina de decifrar
E tenha a alma aberta
Pra somente saborear

O amor é escrever
Um poema como esse
E entregá-lo a sua amada
Como em um ato prosaico
Que ainda que saboroso,
Despido de rituais
Avesso a solenidades
Como um vestir de sapatos
Um banho em um ribeirão
Um pão saindo do forno
Como mogango com leite
Ou qualquer outro deleite
Que por diário que seja
Assim não mais se perceba

Como quem toma em seus braços
A criatura amada
E sem um dizer de mais nada
Fitando fundo seus olhos
Lhe despe roupa por roupa
Como quem lhe rouba o sono
Como quem lhe morde a boca
Como quem tem o poder
De confundir-lhe o andar
Em meio a tanta incerteza
Que tanta certeza traz
Como quem lhe assombra a vida
Como quem lhe tira a paz
E com a cara mais deslavada
Consciente e inconseqüente
Diz que só a devolverá
Se aceitar esse convite
Em forma de poesia
Que comecei a compor
Com a lua’inda em meio céu
E acabo ao raiar do dia
De por todas as outras noites
Que a vida ainda me reservar
Antes que eu tenha que ir
Pra onde vão os poetas
Na hora de seu partir
Em minha cama, senhora
Comigo vier dormir.

Ton Neumann

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

PRA TE DESCOBRIR

Uma canção que fiz há muito tempo e que agora ganhou seu verdadeiro sentido.

Tudo quanto eu possa
Vou fazer por ti
Pra encontrar teus sonhos
Pra te descobrir
Pra te dar meu corpo
E depois dormir

Se eu beijar tua boca
E você sentir
É que algo, entre nós
Há de ainda existir
O que é que te falta
Pra me descobrir?

E não me olhe com os olhos
De quem não gosta de mim
Não te engana a ti mesma
Pra que sofrer tanto assim?

Se eu não sou tudo o que queres
Sou quem te ama
E tu amas,
Enfim

Vê se então me liga
Se me dá atenção
Não despreze assim
Quem te tem paixão
Eu queria tanto
Ser tua ilusão


Ser teu carnaval
Ser o teu por vir
Chega de chorar
Antes de dormir
Fica do meu lado
Nem pensa em partir

E não me olhe com os olhos
De quem não gosta de mim
Não te engana a ti mesma
Pra que sofrer tanto assim?

Se eu não sou tudo o que queres
Sou quem te ama
E tu amas,
Enfim

Ton Neumann
 
  • ArrudA
  • CeciLia