segunda-feira, 16 de março de 2009

Oferenda

De mim
Já conheces o que de melhor e pior
Habita o meu ser.

Porque te abri todas as portas do meu coração
Te acostumaste a caminhar por ravinas em manhãs ensolaradas
Colhendo flores em formas de poemas
Respirando meus abraços e meus beijos pelo ar
Renovando tua alma no caudaloso rio do meu amor
Por onde quer que o destino andasse por te conduzir

Mas porque a vida, em mesma forma se revela por contrastes,
Um dia, também, sem que esperasses,
Conheceste o mar em fúria
E todo o temor que a escuridão da negra noite traz

Minha imensa miséria, que igualmente compõe aquilo que sou,
Então se revelou,
Em forma do mais cruel dos bárbaros
Do flagelo mais impiedoso
Ou de beiços de guri mimado

E sem que estivesses preparada
Te jogou na cara a compreender
O inevitável e inefável fato
Que de fato, humano sou

Ameno, sereno, dócil, manso, carinhoso, amante insaciável
E o mais terrível primitivo selvagem
Se se tratar de defender
O espaço do mundo que me foi destinado
A para sempre viver
Que é teu coração,
Mulher amada

Não te assustes com a constatação
Que a qualidade da perfeição
Não pode em nenhum momento me caracterizar

Sou humano, meu amor
Tenho fraquezas
Sofro dores

Dores que não compreendes
Mas que nem por isso me são menos dores
Que nem por isso me agridem menos todos os dias
Dores que em teu pedestal de Deusa
Sequer imaginas que possa atingir
A quem tão mortalmente mortal
Como eu

A quem tem como maior anseio
Escrever versos madrugada a fora
Na esperança que ao teu despertar
Tenhas a benevolência
De recebê-los
Como oferendas
Que deposito aos teus pés

Pois nada mais são, meu amor
Essas letras que junto em palavras e as palavras com que formo versos
Para compor meus poemas
Do que a mais singela e insolente forma
De também minha vida te entregar em oferenda
Para um dia, quem sabe, venha a merecer
Que me declares ao mundo
Como teu único e real amor
O verdadeiro amor desta vida e de além dela.
Sem que ninguém mais haja entre nós.

Ton Neumann

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