terça-feira, 10 de março de 2009

Sobre o Nosso Mundo

Vivemos em uma dimensão paralela,
Alheia, incompreensível a todo quem que não nós.

Muitas vezes, transitamos pelos espaços do mundo, que aos outros foi reservado,
Apenas pela delicadeza de aspergir o perfume de nosso amor,
Por generosos que somos,
De forma a lhes ofertar alguma graça às jornadas
Tornado menos árdua sua tarefa de não viver como vivemos nós.

E fazemos isso,
Sem que de fato nos façamos perceber pelas gentes
Que vagueiam pelas ruas em busca do pão de cada dia
Enquanto eu e tu, encantados pelo amor, que somos,
Não precisamos mais deitar lida em função desses lavores
Pois já não trazemos mais essas necessidades tão de ser vivente que caracterizam os humanos.
Vivemos em outro plano e nossas necessidades são apenas as que dizem respeito ao amor.

Ao deleitar-se do que transborda a cornucópia que nosso fundir abrolha
Nos nutrimos da energia que nossos calores produzem
Da força inexplicável que um corpo ao outro transmite
Desse delírio de passar dias a se amar
Desse espetáculo interminável do qual somos protagonistas
Que vara noites, madrugada a fora
Entre o saciar e o despertar de novos desejos
Coreografados por um balé insano
Dando razão aos sentidos
Nos mostrando o quanto estávamos enganados
Quando dizíamos já ter amado, um antes do outro.

Não é possível que queiramos que alguém nos venha a entender
Nem tampouco é tão assim cristão
Falar aos outros de algo a que ninguém mais foi permitido conhecer.

Apenas a nós dois foi permitido provar dessa droga,
Fruto da perfeita e única combinação gerada pelo que somos
Pelo que produzimos um no outro.

E é inebriados desse algo
A que qualquer definição não cabe
Que desde que nos fomos
Foliamos vida a fora
Evoluindo, como que encantados,
Por entre os sóis e as luas
No transe desse delírio
Que o amor nos traz
E que é nossa forma de comunicação
Para com o mundo contatar
A ele se nos traduzindo
Sob forma de poesia.

Ton Neumann

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