segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Para que Saibas

Não há qualquer demérito no que te revelo
Qualquer falta de reconhecimento ou motivo sobre tuas qualidades
Que são tantas e incomensuráveis...
Também isso não há

Não há ainda razões para que se zangue,
Ou desconfie que é menor esse amor maior que nutro por ti

Mas para ser fiel a verdade
Devo dizer que não te escolhi
Tampouco o fez meu coração,
Esse velho companheiro
Ornado por cicatrizes tão explícitas de amores do passado,
Cúmplice de lágrimas de dores de perdas
Parceiro de infortúnios
Que eu já julgava inválido
Moribundo
Sem porquê

Não, mulher minha
Não te escolhemos.

Foi com encanto e surpresa
Que vimos esse amor nascer dentro de nós
Sem que nada se houvesse a sobre ele explicar, explicitar, teorizar, buscar razão
Apenas te olhei e entendi que te amava
Que dentro de mim havia brotado o verdadeiro amor que desde que me dei por mim desejei
Que não me sentia mais só no mundo
Que não aceitava mais conduzir meu corpo,
Há tanto tempo já tão sem vida,
Sem a luz tua que me devolveu os e aos dias
Desde a primeira vez em que te vi

Eu já sabia que existias
Por que sabia que um amor
Havia de estar reservado para mim
Que não era direito que Deus me condenasse a deixar esse corpo
Sem provar da maravilha
Que é estar dentro do teu
Acordar ao teu lado
Sorver teus múltiplos licores pela noite a fora
Sentir tuas coxas enrolarem-se nas minhas pelas madrugadas
Gozar do sono profundo e tranqüilo
Que usufruem os amantes
Ao dormir tocando aquele que amam
Depois de entregarem-se à exaustão àqueles a quem descobrem posseiros de seu corpo

Não, eu não te escolhi.
Quando me dei por conta
Esse amor já me habitava
Mais do que isso
Passou a ser a própria razão para que voltasse a crer que vale a pena viver
A descobrir minha missão
Que outra não é, senão
Que se me dar a ti por todos os dias e noites
Através de meu cuidado a tudo que a ti diz respeito
De meu me entregar
Do resenhar do roteiro dos dias que haveremos de juntos
Um ao outro cevar
Do parir de cada manhã
Por que depois que nos tivemos um nos braços do outro
Passamos a ser nós que determinamos o tempo.

Não te escolhi, meu amor
Não és mais uma das nefastas histórias de perda de meu coração
Teu amor se apoderou de mim
Sem pedidos de licença,
Sem reservas,
Sem pudores.

Por isso eu sou teu homem
Por isso é minha mulher

E nem mesmo a morte há de nos separar
Minha Chele,
Meu amor.

Um comentário:

CeciLia disse...

Depois de um poema tão lindamente apaixonado, o que dizer, irmão meu?

Nada. Beijá-los em silêncio e em silêncio abençoar tuas palavras.

 
  • ArrudA
  • CeciLia