Tu nem sonhas, meu amor
Mas enquanto dormes, longe de mim
Sonho por ti, acordado,
Por nós, sonho,
Nosso sonho,
Nosso amor.
Tu sequer me vias e eu já te amava
Sequer sabias que existia meu amor por ti
E eu já conhecia cada sinal de tua respiração.
Em cada timbre de tua voz
Eu reconhecia um mistério contido
Como um viciado,
Meus pensamentos já não mais conheciam outros caminhos
Que não os que conduzissem a ti.
Como um oráculo
Que previa algúrios para esse amor,
Adivinhava os desejos
Que cevavas, sem saber, por mim
E te alertava sobre as vicissitudes que as tardes te trariam
E assim a cada dia desde que te vi
Eu estendi um tapete de flores
Por onde havias de passar
E em meio a elas depositei meu coração
Tu, no entanto, senhora que és
Suprema sacerdotisa de meu credo
Não o pisaste, ao contrário
O tomaste em mão e o colocaste dentro de teu peito
Por isso desde então sou teu
Por isso desde então te dei minha vida
E reneguei qualquer plano que para ela tivesse
Quem ma deu
Como um herege,
Um filho ingrato,
Como o insolente, que de fato sou
Como um traidor que renega sua raça
Pelo amor da mulher
Filha do inimigo de sua gente
Mas que nem por isso se sente traidor
Uma vez que o fez que ao que chamam traição
Eu dou o nome de amor
Escrevo versos pelas madrugadas
Não raro, debruçado neles
Sou eu quem desperta o sol
Meu ofício se resume em semear versos
Por jardins onde florescem fusas e colcheias
Posso olhar olho no olho a cara das pessoas,
Tenho teto e o que comer
Sou capaz de entender o sofrimento alheio
E meu coração não se permite reservar espaços para a maldade
Nunca pisei em ninguém
Luto por um mundo sem fome e com menos dor
Teu útero, sei
Há de ser terra a brotar minhas sementes
Hoje, te tenho em minha vida.
Tu, que só agora entendo,
És de fato a poesia.
Que para mim é o tudo
E por si só me basta.
Ton Neumann
domingo, 15 de fevereiro de 2009
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